domingo, 12 de dezembro de 2010

O Auxílio Mútuo

Diante dos companheiros, André leu expressivo trecho de Isaías e falou, comovido, quanto as necessidades da salvação(...)

Jesus ouvia os apóstolos em silêncio e, quando as discussões, em derredor, se enfraqueceram, comentou, muito simples:

- Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança simimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno.

"Um deles fixou o singular achado e clamou, irritadiço: "- Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente.

"Outro, porém, mais piedoso, considerou:

"- Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade.

"- Não posso - disse o companheiro, endurecido -, sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seeria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos ganhar a aldeia próxima sem perda de minutos.

"E avançou para diante em largas passadas.

"O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido.

"A chuva gelada caiu, metódica, pela noite dentro, mas ele, sobraçando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava. Com enorme surpresaa, porém, não encontrou aí o colega que o precedera. Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida num desvão do caminho alagado.

"Seguindo à pressa e a sós, com a idéia egoística de presevar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento, enquanto o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, guardando-se indene de semelhante desastre. Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo... Ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços da senda, alcançando as bênçãos da salvação recíproca"(...)

Foi então que Jesus, depois de curto silêncio, concluiu expressivamente:

Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina.


Autor: Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar

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