terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Estudo do Sono


O estudo do sono
O estudo do sono fornece-nos, sobre a natureza da personalidade, indicações de grande importância. Em geral, não nos aprofundamos bastante a respeito do mistério do sono. O exame atento deste fenômeno, o estudo da alma e de sua forma fluídica, durante esta parte da existência que consagramos ao repouso, conduzir-nos-ão a uma compreensão mais ampla das condições do ser, na vida do Além.

O sono possui não só propriedades reparadoras, a que a Ciência ainda não deu o destaque suficiente, mas também um poder de coordenação e de centralização sobre o organismo material. Acabamos de ver que ele pode, além disso, provocar uma expansão considerável das percepções psíquicas, maior intensidade do raciocínio e da memória.

O que é, então, o sono?


É simplesmente a saída, o desprendimento da alma, com relação ao corpo. Dizem que “o sono é irmão da morte”. Estas palavras exprimem uma verdade profunda. Aprisionada à carne durante o estado de vigília, a alma recupera, no sono, sua liberdade relativa, temporária e, simultaneamente, a utilização de seus poderes ocultos. A morte será sua libertação completa, definitiva.

Nos próprios sonhos, vemos entrarem em ação os sentidos da alma, estes sentidos psíquicos, dos quais os do corpo são a reduzida manifestação exterior. À medida que as percepções do exterior se enfraquecem e se apagam, com os olhos fechados e os ouvidos cerrados, outros meios mais poderosos despertam das profundezas do ser. Vemos, ouvimos, com o auxílio dos sentidos internos. Imagens, formas, cenas distantes desenrolam-se sucessivamente; ocorrem encontros entre personagens vivos ou mortos. Esta ação, frequentemente incoerente e confusa no sono natural, torna-se precisa e cresce com o desprendimento da alma no sono provocado, no transe sonambúlico e no êxtase.


Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser e do Destino

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