domingo, 24 de junho de 2012

Reencarnação


Reencarnação
Cada um leva para além do túmulo e traz, ao nascer, a semente do passado. Esta semente, conforme sua natureza, para nossa felicidade ou nossa infelicidade, estenderá seus frutos à nova vida que começa e, até mesmo, às seguintes, se uma só existência não for suficiente para esgotar as consequências más de nossas vidas anteriores. Ao mesmo tempo, nossos atos cotidianos, fontes de novos efeitos, vêm juntar-se às causas antigas, atenuando-as ou agravando-as. Formam com elas um encadeamento de bens e males que, em seu conjunto, comporão a trama de nosso destino.

Assim, a sanção moral, tão insuficiente, às vezes tão nula, quando estudada do ponto de vista de uma vida única, encontra-se absoluta e perfeita, na sucessão de
nossas existências. Há uma íntima correlação entre nossos atos e nosso destino. Experimentamos, em nós mesmos, em nosso ser interior e nos acontecimentos de nossa vida, o contragolpe de nossos procedimentos. Nossa atividade, sob todas as suas formas, é criadora de elementos bons ou maus, de efeitos próximos ou distantes, que recaem sobre nós em forma de chuvas, de tempestades, ou em raios de alegria. O homem constrói seu próprio futuro. Até aqui, em sua incerteza, em sua ignorância, ele o tem construído às cegas e vivenciado seu destino, sem poder explicá-lo. Brevemente, mais esclarecido, penetrado da majestade das leis superiores, compreenderá a beleza da vida, que reside no esforço corajoso, e dará à sua obra uma impulsão mais nobre e mais alta.


Autor: Léon Denis
Do Livro: O Problema do Ser e do Destino

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