terça-feira, 31 de julho de 2012

Sejamos Piedosos


Sejamos Piedosos
Sejamos piedosos para com os pequenos, os débeis, os aflitos, para com todos aqueles que sangram os ferimentos da alma e do corpo. Procuremos os lugares onde as dores abundam, onde os corações se partem, onde as existências se ressecam no desespero e no esquecimento. Desçamos nesses abismos de miséria, a fim de aí levar as consolações que restauram, as boas palavras que reconfortam, as exortações que vivificam, a  fim de ali fazer luzir a esperança, esse sol dos desgraçados. Esforcemo-nos para daí arrancar alguma vítima, para purificá-la, salvá-la do mal, abrir-lhe o caminho honroso. Será somente pelo devotamento e a afeição que aproximaremos as distâncias, que preveniremos os cataclismos sociais, exterminando o ódio que se incuba no coração dos deserdados.

Tudo o que o homem faz pelo seu irmão grava-se no grande livro fluídico cujas páginas se desenrolam através do Espaço, páginas luminosas onde se inscrevem nossos atos, nossos sentimentos, nossos pensamentos. E essas dívidas nos serão pagas, amplamente, nas existências futuras.


Nada fica perdido, nada fica esquecido. Os laços que unem as almas através dos tempos são tecidos com os benefícios do passado. A sabedoria eterna tudo regulou para o bem dos seres. As boas obras executadas, aqui na Terra, tornam-se, para o seu autor, a fonte de infinitas alegrias no futuro.

A perfeição do homem se resume em duas palavras: Caridade, Verdade. A caridade é a virtude por excelência; ela é de essência divina. Irradia sobre os mundos, reaquece as almas como um olhar, como um sorriso do Eterno. Ultrapassa em resultados o saber, o gênio. Esses não caminham sem o orgulho. São contestados, às vezes, desconhecidos, mas a caridade, sempre doce e benevolente, enternece os corações mais duros, desarma os espíritos mais perversos, inundando-os de amor. 


Autor: Léon Denis
Do Livro: Depois da Morte

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