sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Alma, ser inteligente


Alma, ser inteligente
SEGUNDO A DOUTRINA ESPÍRITA, a alma é o princípio inteligente que anima os seres da criação e lhes dá o pensamento, a vontade e a liberdade de agir. Ela é imaterial, individual e imortal; mas sua essência íntima é desconhecida: não podemos concebê-la absolutamente isolada da matéria senão como uma abstração. Unida ao envoltório fluídico etéreo ou perispírito, ela constitui  o ser espiritual  concreto, definido e circunscrito chamado espírito. Por metonímia, empregam-se frequentemente as palavras alma e  espírito uma pela outra; diz-se: as almas sofredoras e os espíritos sofredores; as almas felizes e os espíritos felizes; evocar a alma ou o espírito de alguém; mas a palavra alma desperta antes a ideia de um princípio, de uma coisa abstrata, e a palavra espírito a de uma individualidade.

O espírito unido ao corpo material pela encarnação constitui o homem; de sorte que no homem há três coisas: a alma propriamente dita, ou princípio inteligente; o perispírito, ou envoltório fluídico da alma; o corpo, ou envoltório material. A alma é, assim, um ser simples; o espírito, um ser duplo composto da alma e do perispírito; o homem, um ser triplo, composto da alma, do perispírito e do corpo. O corpo separado do espírito é uma matéria inerte; o perispírito separado da alma é uma matéria fluídica sem vida e sem inteligência. A alma é o princípio da vida e da inteligência; foi, pois, erradamente que algumas pessoas pretenderam que dando à alma um envoltório fluídico semimaterial, o Espiritismo dela fez um ser material.


A origem primeira da alma é desconhecida, porque o princípio das coisas está nos segredos de Deus, e que não é dado ao homem, em seu estado atual de inferioridade, tudo compreender. Não se pode, sobre este ponto, formular senão sistemas. Segundo uns, a alma é uma criação espontânea da Divindade; segundo outros, é mesmo uma emanação, uma porção, uma centelha do fluido divino. Aí está o problema sobre o qual não se pode estabelecer senão hipóteses, porque há razões prós e contras. À segunda opinião se opõe, no entanto, esta objeção fundada: sendo Deus perfeito, se as almas são porções da Divindade, elas deveriam ser perfeitas, em virtude do axioma de que a parte é da mesma natureza que o todo; desde então, não se compreenderia que as almas fossem imperfeitas e que tivessem necessidade de se aperfeiçoar. Sem nos deter nos diferentes sistemas tocando a natureza íntima e a origem da alma, o Espiritismo a considera na espécie humana; ele constata, pelo fato de seu isolamento e de sua ação independente da matéria, durante a vida e depois da morte, sua existência, seus atributos, sua sobrevivência e sua individualidade. Sua individualidade ressalta da diversidade que existe entre as ideias e as qualidades de cada um no fenômeno das manifestações, diversidade que acusa, para cada uma, existência própria.

A encarnação da alma num corpo material é necessária para o seu aperfeiçoamento; pelo trabalho de que a existência corpórea necessita, a inteligência se desenvolve. Não podendo, numa única existência, adquirir todas as qualidades morais e intelectuais que devem conduzi-la ao objetivo, ela ali chega passando por uma série ilimitada de existências, seja sobre a Terra, seja em outros mundos, em cada um dos quais ela dá um passo no caminho do progresso e se despoja de algumas imperfeições. Em cada existência a alma leva o que adquiriu nas existências precedentes. Assim se explica a diferença que existe nas aptidões inatas e no grau de adiantamento das raças e dos povos. 


Autor: Allan Kardec
Do Livro: Revista Espírita, 1866.

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