quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Consciência. O Sentido Íntimo


A Consciência. O Sentido Íntimo
A consciência é, portanto, como diz W. James, o centro da personalidade, centro permanente, indestrutível, que persiste e se mantém, através de todas as transformações do indivíduo. A consciência é não só a faculdade de perceber, mas também o sentimento que temos de viver, de agir, de pensar, de querer. Ela é una e indivisível. A pluralidade de seus estados nada prova, como vimos, contra essa unidade. Estes estados são sucessivos, como as percepções que a eles se ligam e, não, simultâneos. Para demonstrar que existem, em nós, vários centros autônomos de consciência, ter-se-ia de provar também que há ações e percepções simultâneas e diferentes; mas isto não é assim, nem pode ser. 

Todavia, a consciência, em sua unidade, apresenta, nós o sabemos, vários planos, vários aspectos. Física confunde-se com o que a Ciência chama de sensorium, isto é, a faculdade de concentrar as sensações
exteriores, de coordená-las, de defini-las, de apreender-lhes as causas e determinar-lhes os efeitos. Pouco a pouco, por conta da própria evolução, estas sensações multiplicam-se e se refinam e a consciência intelectual desperta. Daí em diante, seu desenvolvimento não terá mais limites, já que poderá abranger todas as manifestações da vida infinita. Aí eclodirão o sentimento e o bom senso e a alma perceber-se-á a si mesma. Tornar-se-á, ao mesmo tempo, sujeito e objeto. Na multiplicidade e na variedade de suas operações mentais, terá sempre consciência daquilo que pensa e quer.

O eu se afirma e cresce e a personalidade se completa pela manifestação da consciência moral ou espiritual. 
A faculdade de perceber os efeitos do mundo sensível exercer-se-á de maneiras mais elevadas. Tornar-se-á a possibilidade de sentir as vibrações do mundo moral, de identificar-lhes as causas e as leis. 


Autor: Léon Denis
Do Livro: O Problema do Ser e do Destino.

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