sábado, 19 de janeiro de 2013

No princípio e agora também


No princípio e agora também
“No princípio, como se ignorasse a causa do fenômeno, se havia indicado várias precauções, depois reconhecidas como absolutamente inúteis; tal é, por exemplo, a alternância dos sexos; tal é, ainda, o contato dos dedos mínimos das diferentes pessoas, de maneira a formar uma cadeia não interrompida.” (Cap. II – Segunda Parte – item 62.) 


Não apenas no princípio, mas igualmente nos tempos atuais, a falta de esclarecimento de seus próprios seguidores tem sido o maior entrave à propagação da Doutrina. 

Muitos confrades veem no Espiritismo uma doutrina de “uso” pessoal e querem tocá-la ao seu modo. Consideram-se “donos” de centros espíritas, isolam-se dos demais grupos, criticam o movimento unificador e, se médiuns, não admitem qualquer tipo de “concorrência” em seu campo de trabalho. 


Por incrível que pareça, existem muitos espíritas assim... Acreditam saber mais do que os benfeitores espirituais, sem, não raro, conhecer sequer as obras da Codificação. “Inventam” fórmulas especiais de transmitir passes, centralizando em si todas as atividades do grupo e ai de quem ouse discordar de suas opiniões. 

Com as nossas observações, não desejamos criticar nenhum companheiro de ideal que, às próprias expensas, funda e mantém ativa instituição espírita, prestando imensos benefícios à comunidade. Entretanto, em Doutrina Espírita carecemos sempre de uma visão mais ampla das coisas, a fim de que não nos equivoquemos quanto aos seus objetivos. 

Não é porque sejamos servidores do bem que podemos nos permitir certos desmandos, para que não corramos o risco de ceifar com uma mão o que plantamos com a outra... 

O apego a fórmulas e rituais numa reunião que se intitule espírita é ainda herança do paganismo e, no fundo, 
demonstra a predominância do “exterior” sobre o “interior” porque, a bem da verdade, é muito mais fácil, como disse o Cristo, oferecer a Deus “sacrifícios materiais” do que o próprio coração...

As chamadas “correntes mediúnicas” também precisam ser melhor avaliadas. Se é fato que a afinidade e a sintonia entre os médiuns de um grupo estabelecem uma “força homogênea” e direcionada no mesmo sentido, não o é a crença de que o simples ajuntamento de médiuns, em torno de uma mesa, possa conferir-lhe proteção para que o trabalho se desenvolva imune ao ataque das trevas... Os médiuns podem perfeitamente ficar fisicamente distantes uns dos outros, desde que espiritualmente estejam próximos... As “correntes mediúnicas” se formam a partir dos elos dos sentimentos e não da disposição das cadeiras ocupadas pelos medianeiros. 

Existem “correntes mediúnicas” que estão tão fracionadas, que são justamente elas que mais embaraçam o trabalho dos espíritos. Não raro, simples frequentadores de uma sessão espírita colaboram mais do que aqueles que permanecem à sua frente, com a responsabilidade da direção dos trabalhos. 

Ser médium não é privilégio e dirigir uma instituição espírita é responsabilidade das mais sérias. 



Autor: Odilon Fernandes
Do Livro: Mediunidade e Evangelho

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