terça-feira, 19 de março de 2013

O além túmulo


O além túmulo
O Além Túmulo
Quando se fala sobre o além-túmulo surge à mente do ouvinte a imagem longínqua de uma terra perdida acolá das fronteiras da vida, e muitos se quedam a conjeturar em torno de uma região mirabolante em que a fantasia em nuances de tragédia dantesca se mescla a uma apoteose lírica com as características infernais das tradições religiosas. Todavia, o além-túmulo escapa a qualquer descrição e, às vezes, as histórias que ali se desenrolam começam antes mesmo da sepultura. 

O veículo da morte, em transportando o homem de um estado vibratório para outro, apenas o desnuda para enfrentar a própria consciência livre, que descortina os grandes mapas das suas atitudes grafadas através do tempo, nos escaninhos da consciência. E quando este homem não se prepara devidamente para enfrentar o libelo inconfundível do próprio eu, embrulha-se nos pesados crepes da revolta, buscando fugir pela estrada do remorso, ou descendo as escadas da desesperação, ou atirando-se ao mar das lágrimas como se assim pudesse evitar que a voz da divindade dentro dele mesmo calasse a sua constante modulação, que mais cedo ou mais tarde se fará ouvir no seu imo (...) 


O além-túmulo representa, portanto, o encontro do homem consigo mesmo, com a consciência livre. Daí a necessidade de cada um construir a futura habitação por meio de uma salutar conduta, enquanto no casulo fisiológico. Os atos criam vibrações que se impregnam no perispírito, gerando ondas de harmonia ou de desequilíbrio(...) 

Lágrima, dor, enfermidade — eis a balada triste que se ouve em todos os quadrantes, na diversidade das vibrações em derredor do Orbe, nas organizações extraterrenas ou na face imensa da Terra, onde vivem as criaturas encarnadas. 

Mente — ação; pensamento — vibração; onda mental — construção espiritual. 

A Terra hoje como ontem é um campo de energia que se adensa na matéria e de matéria que se dilui em energia. 


No setor moral-religioso tudo igualmente são vibrações: prece-raio, meditação-onda; vibrações do espírito em direção ao dínamo celeste que as capta, e donde fluem e refluem abundantes, criando o campo de forças 
positivas em torno de quem as emite. 

Vivamos, destarte, de tal modo que a morte não nos surpreenda na condição de nautas imprevidentes em batel de irresponsabilidade. 

Meditemos diariamente ao despertar em torno de um programa de ação para as horas diuturnas e, quando o manto denso da noite descer, façamos um balanço das atividades, renovando as diretrizes e retemperando as fibras morais para as lutas da redenção. 


Autor: João Cléofas
Do livro: Crestomatia da Imortalidade

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