sexta-feira, 29 de março de 2013

Sensações dos espíritos


Sensações dos espíritos
Sensações dos Espíritos
Interrogamos a milhares de espíritos, que pertencem a todas as camadas sociais e a todas as posições; estudamo-los em todos os períodos de sua vida espiritual, desde o momento em que deixaram o corpo; seguimo-los passo a passo nessa vida de além-túmulo, a fim de observar as mudanças neles operadas, nas ideias, e nas sensações. E, a tal respeito, não foram as criaturas mais vulgares as que ofereceram material menos interessante para estudo. Ora, nós vimos sempre que os sofrimentos estão em relação com a conduta, cuja consequência eles sofrem; e que essa nova existência é a fonte de inefável felicidade para aqueles que seguiram o bom caminho. De onde se segue que os que sofrem, sofrem porque o quiseram e que se não devem queixar senão de si mesmos, quer neste mundo, quer no outro. (...) 

Ainda uma palavra sobre o assunto. Os sofrimentos de além-túmulo têm um termo. Sabemos que os mais baixos espíritos podem elevar-se e purificar-se em novas provas; isto pode ser demorado, muito demorado, mas de cada um depende abreviar esse tempo penoso, porque Deus o escuta sempre, desde que se submeta à sua vontade. Quanto mais desmaterializado é o espírito, mais vastas e lúcidas são as suas percepções; quanto mais se acha sob o império da matéria, o que depende inteiramente do seu gênero de vida terrena, mais limitadas e veladas serão elas. Quanto mais a visão moral se estende para o infinito, tanto
mais a do outro se restringe. Assim, pois, os espíritos inferiores têm apenas uma noção vaga, confusa, incompleta e, por vezes, nula, do futuro; não vêm o termo de seus sofrimentos e, por isso, pensam sofrer eternamente, o que lhes é um castigo. Se a posição de uns é aflitiva, mesmo terrível, não é, entretanto, desesperadora; a dos outros é, porém, eminentemente consoladora. A nós, pois, cabe escolher. Isto é da mais alta moralidade. Os cépticos duvidam da sorte que os aguarda após a morte; nós lhes mostramos o que há, com o que julgamos prestar-lhes um serviço. Assim, vimos mais de um recuar de seu erro ou, pelo menos, começar a refletir sobre aquilo de que antes faziam troça. Nada como nos darmos conta da possibilidade das coisas. Se sempre tivesse sido assim, não haveria tantos incrédulos, e com isso teriam ganho a religião e a moral pública. Para muitos a dúvida religiosa vem da dificuldade de compreender certas coisas. São espíritos positivos, não organizados para a fé cega, que só admitem aquilo que para eles tem uma razão de ser. Tornemos estas coisas acessíveis à sua inteligência e eles as aceitarão, porque, no fundo, não pedem mais do que isso a fim de crerem e porque a dúvida lhes é uma situação mais penosa do que imaginamos ou do que eles manifestam.


Autor: Allan Kardec
Do livro: Revista Espírita – Dezembro, 1858

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