sábado, 25 de maio de 2013

O Julgamento


O Julgamento
O Julgamento
Uma lei, tão simples em seu princípio quanto admirável em seus efeitos, preside a classificação das almas no Espaço. 

Quanto mais sutis e rarefeitas forem as moléculas constituintes do perispírito, mais a desencarnação será rápida e mais amplos os horizontes abertos ao espírito. Em razão até da sua natureza fluídica e das suas afinidades, eleva-se em direção aos grupos espirituais que lhe são similares. Seu grau de depuração determina seu nível e o classifica no meio que lhe convém. Comparou-se com alguma justeza, a situação dos espíritos nos céus à dos balões cheios de gás de densidades diferentes que, em razão de seu peso específico, subiriam a alturas variadas. É preciso apressar-se e acrescentar que o espírito é dotado de liberdade, que ele não está imobilizado num ponto, que pode, dentro de certos limites, deslocar-se e percorrer as regiões etéreas. Pode sempre modificar suas tendências, transformar-se pelo trabalho e pela prova e, por conseguinte, elevar-se à vontade na escala dos seres. 


É, pois, uma lei natural, análoga às leis de atração e de gravidade, que fixa a sorte das almas depois da morte. O espírito impuro, entorpecido pelos seus fluidos materiais, permanece confinado nas camadas inferiores da atmosfera terrestre, enquanto que a alma virtuosa, com envoltório depurado e sutil, lança-se alegre, rápida como o pensamento e plana no azul infinito.

É também em si mesmo, na sua própria consciência, que o espírito encontra sua recompensa ou seu castigo. 

Ele é seu próprio juiz. Tendo caído a vestimenta de carne, a luz penetra-o, sua alma surge nua, deixando nela ver o quadro vivo de seus atos, de suas vontades, de seus desejos. Instante solene, exame cheio de angústia e frequente de desilusão. As lembranças despertam em massa; e a vida inteira desenrola-se, com seu cortejo de falhas, de fraquezas e misérias. Da infância até a morte, tudo, pensamentos, palavras, ações, tudo sai da sombra, reaparece à luz do dia, anima-se e revive. O ser contempla-se a si mesmo, revê uma a uma, através dos tempos, suas existências dissipadas, suas quedas, suas ascensões, suas estações inumeráveis. Ele conta as etapas vencidas, mede o caminho percorrido, compara o bem e o mal realizados. 



Autor: Léon Denis
Do Livro: Depois da Morte

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