sábado, 8 de março de 2014

A ideia reliogiosa

A ideia religiosa
A ideia religiosa
É fora de dúvida que a ideia de Deus é inata na alma dos homens. Nos primórdios da história humana, o homem, estando em sua infância espiritual, olhava para o alto, procurando o significado do Sol, da Lua, das estrelas e, amedrontado, tremia diante dos fenômenos berrantes da Natureza, escondendo-se dos trovões e admirando-se de tudo o que lhe era desconhecido e grandioso à sua visão imatura.

Com o correr das idades, o pensamento foi sendo cada vez mais elaborado e ganhou continuidade plena, cada vez mais rápido e lúcido, possibilitando os primeiros contatos com os espíritos, que sugeriam, em intuições e visões, novas luzes e descobertas.

Sem compreender bem o que se passava, o homem deu início ao ato de adoração, exaltando tudo o que não compreendia e temia: o fogo, os relâmpagos, as tempestades. Depois, com a necessidade de ter um deus palpável e tangível, transferiu sua atenção para as coisas, para os animais, seres que só a imaginação pode criar, idealizando imagens de madeira ou de pedra, objetivando o rito religioso que lhe nascia, sem nem mesmo compreender, ainda, a existência do Criador.

Surgiram os deuses, os Elohins, os Baals, as Dianas, os Cronos, mas a ideia central, cada vez mais forte, procurava o centro do poder mantenedor de todas as coisas. Em época bem mais adiantada do primitivismo, a Mitologia foi sendo construída na poesia dos homens, em torno de um deus principal, surgindo Zeus e depois Júpiter.


Entrementes, desenvolvia-se, ao lado do politeísmo, a ideia de um Deus único, Todo-Poderoso, o maior entre os Elohins, o grande Eloíh, que, sob a tutela lendária de Moisés, tornou-se Yahweh, o Deus dos espíritos, o único, o santo dos Hebreus.

Sob a influência religiosa dos povos politeístas e adoradores dos ídolos de pedra, não conseguiram escapar à tentação da idolatria, tendo seus reis adorado aos diversos deuses pagãos, participando, inclusive, dos ritos com sacrifícios humanos. Houve por bem, à direção espiritual do povo hebreu, mediante as necessidades de evolução natural, lançar mão de métodos educativos e seletivos, mesmo dolorosos, para que a ideia de um só Deus permanecesse.

O povo escolhido foi sendo separado, até que se estabilizou os sítios de Judá, depois do cativeiro, com todas as ideias babilônicas concentradas e adaptadas ao modo de ser da tradição hebraica, reunidas nos princípios religiosos do Judaísmo. Mas, o conhecimento das leis morais, superiores às leis proibitivas do Decálogo Mosaico, já estava consolidado nas Escrituras, espalhando os Salmos, as Crônicas, nas Lamentações, no Eclesiastes, no Eclesiástico, e nas palavras dos profetas Isaías e Daniel, sem chance de se dizer que não se sabia da Verdade.

Os líderes religiosos, porém, preferiram permanecer no culto externo, proposto pela letra da Lei, a prosseguir no esforço de transformação moral e da elevação espiritual. A letra fria da Lei garantia o controle do vulgo, sob o guante pesado da lei de talião, do “dente por dente, olho por olho” e, pior, morte ao infiel e blasfemo, esquecendo-se de que eles mesmos transgrediam, assim, o 5o mandamento.

Jesus de Nazaré veio no momento preciso, para definir, de vez, onde estava o caminho para as verdades divinas, que foram anotadas pelos profetas, ao longo dos séculos. O farisaísmo estava instalado nos corações endurecidos e incapazes de perceber a grandiosa mensagem do Mestre Galileu. O Cristo, tão esperado, foi sacrificado, como a figura passiva do cordeiro pascal. A cruz de suplício humano, inventada pelo próprio homem, tornou-se o marco entre as fronteiras do mundo temporal e do espiritual. Permaneceram no mundo os discípulos e apóstolos que testemunharam, anotaram, exemplificaram e deram suas vidas pela verdade revelada, beberam do mesmo cálice de amarguras que o Mestre bebeu.

Escorregadios, os homens chamados a conduzir os ensinos, “doutos e prudentes”, obedecendo aos poderes atávicos de suas experiências existenciais passadas, como sacerdotes do mundo, deram preferência às demonstrações e usufruto dos poderes temporais, esquecendo-se novamente da ordem sublimada de amor incondicional, a única coisa realmente necessária.

Novamente os séculos se passaram e deu-se continuidade às ideias farisaicas das aparências. Vieram os engôdos e os crimes em nome de Deus e do Cristo. Até que outra chance, anteriormente anunciada, foi providenciada – a vida do outro Consolador, para atender aos apelos dos que já estavam sensíveis às Verdades Cristãs legítimas.

O Espiritismo, sob a direção do Espírito de Verdade, reuniu todo o ensinamento perdido. Ele veio, como prometido, como o novo ajudador, o advogado dos mansos e humildes de coração, para ensinar todas as coisas e permanecer para sempre com aqueles de boa vontade, que, procurando a presença divina, veem a sua luz, como filhos do Deus único, Pai e Criador. O Espiritismo veio trazer o verdadeiro aspecto da religião natural e verdadeira, na mais sublimada ideia religiosa de todos os tempos, que liberta, que redime e que mostra o Caminho, a Verdade e a Vida Eterna.


Autor: Léon Denis
Do livro: Teologia Espírita de Lamartine Palhano Júnior

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