sábado, 22 de março de 2014

Construindo uma relação de afetividade com os desencarnados

Construindo uma relação de afetividade com os desencarnados
Construindo uma relação de afetividade com os desencarnados


“Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.” Jesus. (João, 8:51)


          Estamos aqui rememorando algumas observações, discussões e meditações feitas acerca da manutenção da relação de afeto, após a morte de nossos queridos. Durante as conversas algumas perguntas nos chegaram à mente:


Como manter a minha relação com os entes queridos que retornaram à pátria espiritual?

Nos reencontraremos? O que preciso fazer?

Kardec obtém a informação dos Espíritos sobre o que nos acontece com o desvínculo da matéria e consequente chegada ao plano de origem, esclarecendo que a afetividade construída na Terra tem ressonância no outro plano, mas essa conquista tem conformidade com o nosso comportamento no plano físico conforme observamos na questão 289 de O Livro dos Espíritos. 1

O destaque da espiritualidade é uma informação que consola muitas criaturas, que buscam um sentido para as suas vidas corporais, após “perda dos entes queridos”.   Que não estão perdidos de nós, pois pela misericórdia de Deus, hoje sabemos que a morte constitui apenas um afastamento temporário.

 “Estão, a vosso lado, os seres pranteados, que ides buscar no cemitério. Voltam e velam por vós.2   
A consolação para os que ficam e os que se vão da Terra, foi grafada em cartas, testemunhos dos “mortos”, de que a vida continua, elas estão registradas pela mediunidade psicográfica de Chico Xavier e organizadas literariamente e adaptada em filme organizado pela mídia cinematográfico nacional, recentemente divulgado. 4.

Habitualmente Chico atendia a uma infinidade de pessoas, trazendo a palavra fortalecedora aos corações aflitos, encarnados e desencarnados. Porque se muitos encarnados choram a “perda”, os desencarnados sentem as vibrações das tristezas e sofrem igualmente.

 “Mãezinha às vezes sinto a sua mágoa envolvendo o meu coração, como se eu tivesse dentro de mim uma nuvem de lágrimas. Seu filho, Sidney.”

 ‘Se você existe, conte meu filho!’

“Mãe, se me fosse possível, eu queria entrar em seu coração querido para refazer a sua paz. Existo sim! Seu filho, Sidney.” 3

A demonstração do reencontro de familiares pode ser verificada em outros filmes como, por exemplo, em Nosso Lar5

Ah! Como é importante convocar as criaturas ao esclarecimento, seja estudando as obras básicas e complementares, frequentando a reunião pública, realizando o culto do evangelho no lar, buscando o atendimento fraterno, para que aprenda a refletir sobre o equilíbrio, o respeito e a relação de carinho, para com os que se despediram do convívio material, mas continuam participando do desenrolar de nossas vidas.

E quando do reencontro, na espiritualidade, que se dá naturalmente, e na maioria das vezes, possamos perceber a magnanimidade de Deus, agradecendo a oportunidade de rever os afetos queridos.

Enquanto encarnados, vivenciando com os nossos laços de afeto, mantenhamos boas relações, que propiciarão o usufruto das alegrias do reencontro após a morte, porque segundo Léon Denis, na mesma obra citada anteriormente:

 “Toda morte é um parto, um renascimento. É a manifestação de uma vida até então oculta em nós, vida invisível da Terra que vai reunir-se à vida invisível do Espaço. Depois de um período de perturbação, nós nos encontramos, do outro lado do túmulo, na plenitude das nossas faculdades e da nossa consciência, junto dos seres amados. (...). O túmulo apenas encerra pó. Elevemos cada vez mais nossos pensamentos e as nossas lembranças, se quisermos reencontrar o rastro das almas que nos foram caras. (...)” 2

Desde criança fui convocada por minha mãe a acompanhá-la aos féretros, e aprendi a observar a movimentação nos cemitérios, percebia em alguns velórios vizinhos, o choro desesperado das pessoas, seus desequilíbrios, os desmaios, o desejo de partir com o morto. Hoje observo que as pessoas choram discretamente, rezam muito e não se desesperam diante da morte. As pessoas estão aprendendo a ouvir o que está gravado em seu interior... Somos espíritos imortais!      

Aquelas reflexões feitas no início, nos fizeram meditar sobre a manutenção da relação com esses queridos, que se encontram agora, em outro plano. Ficou entendido que a nova forma de contato é direcionada pelo pensamento, enviando-lhes ideias consoladoras, emitindo carinho, agradecimento pelo aprendizado vivido na Terra e buscando a aplicação dos ensinos do Mestre.

“(...) Emitir para os companheiros desencarnados, sem exceção, pensamentos de respeito, paz e carinho, seja qual for a sua condição. (...)” 6

Foquemos o pensar, dando qualidade a esta relação. O outro só mudou de plano, é como uma viagem a um local distante... Neste exercício, nos preparamos para o reencontro. E desta forma amenizaremos nossas dores e a do outro também. Eles nos rodeiam, eles nos intuem, eles se comunicam.

Utilizando a palavra amiga e poética de nosso querido Denis, ilustramos todas as reflexões aqui exaradas:

“(...) Ó morte! Ó majestade serena! Tu, de quem fazem um espantalho, és, para o pensador, apenas um instante de repouso, a transição entre dois atos do destino, quando um se acaba e o outro se prepara! Quando minha pobre alma, errante pelos mundos há tantos séculos, após muitas lutas (...) for novamente repousar em, teu seio (...). Inebriada  ela se elevará (...) através dos Espaços insondáveis, ao encontro daqueles que, aqui embaixo, ela amou e que a esperam”. 2


Autor: Magdala Alves
Fontes Bibliográficas: 
1 –  Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. RJ: Ed. CELD. 2011.
2 - Denis, Léon. O Problema do Ser e do destino. RJ: Ed. CELD. 2011.
3  - Gomes, Saulo (org). As Mães de Chico Xavier, pg 168. SP: Ed. Inter Vidas. 2011.
4 - Trailer do filme “As mães de Chico Xavier” http://www.youtube.com/watch?v=GR3Q4n8g8rs
5 - Trailer do filme “Nosso Lar” http://www.youtube.com/watch?v=3EcOGAxYPHo;
6 - Vieira. Waldo, Conduta Espírita. Ditado pelo espírito André Luiz. Perante a desencarnação, lição 36. 7ª ed. RJ: FEB. 1960.

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