sexta-feira, 2 de maio de 2014

A vida e a morte

68. Qual é a causa da morte nos seres orgânicos?
“Esgotamento dos órgãos.”

a) Poder-se-ia comparar a morte à cessação do movimento numa máquina desorganizada?
“Sim, se a máquina está desajustada, cessa a atividade; se o corpo está enfermo, a vida se extingue.”

69. Por que uma lesão do coração causa mais a morte do que a de outros órgãos?
“O coração é uma máquina de vida; mas o coração não é o único órgão cuja lesão ocasiona a morte; ele é apenas uma das peças essenciais.”

70. O que se tornam a matéria e o princípio vital dos seres orgânicos, quando da morte destes?
“A matéria inerte se decompõe e forma outros; o princípio vital retorna à massa.”

Estando morto o ser orgânico, os elementos dos quais é formado sofrem novas combinações, que constituem novos seres; estes haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, absorvem-no e o assimilam, para devolvê-lo a essa fonte, quando deixarem de existir.

Os órgãos são impregnados, por assim dizer, de fluido vital. Esse fluido dá a todas as partes do organismo
uma atividade que possibilita seu inter-relacionamento e, em certas lesões, restabelece funções, momentaneamente suspensas. Porém, quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente alterados, o fluido vital é impotente para lhes transmitir o movimento da vida e o ser morre.

Os órgãos reagem, mais ou menos necessariamente, uns sobre os outros; é da harmonia de seu conjunto que resulta sua ação recíproca. Quando uma causa qualquer destrói esta harmonia, suas funções cessam, como o movimento de um mecanismo cujas peças essenciais estão escangalhadas. Assim como um relógio que com o tempo se gasta ou se quebra por acidente e cuja força motriz é impotente para colocar em movimento.

Num aparelho elétrico, temos uma imagem mais exata da vida e da morte. Este aparelho, como todos os corpos da Natureza, contém a eletricidade em estado latente. Os fenômenos elétricos apenas se manifestam, quando o fluido é colocado em atividade por uma causa especial: então, poder-se-ia dizer que o aparelho está vivo. Vindo a cessar a causa da atividade, o fenômeno cessa: o aparelho retorna ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam, assim, espécies de pilhas ou aparelhos elétricos nos quais a atividade do fluido produz o fenômeno da vida: a cessação dessa atividade produz a morte.

A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos; ela varia segundo as espécies e não é constante, nem no mesmo indivíduo, nem nos indivíduos da mesma espécie. Há aqueles que estão, por assim dizer, saturados dele, enquanto que outros possuem-o apenas numa quantidade suficiente; daí, para alguns a vida mais ativa, mais tenaz, e de certa forma, superabundante.

A quantidade de fluido vital se esgota; ela pode se tornar insuficiente para a manutenção da vida, se não for renovada pela absorção e a assimilação das substâncias que o contêm.

O fluido vital se transmite de um indivíduo a um outro indivíduo. Aquele que o possui em maior quantidade, pode dá-lo àquele que possui menos, e em certos casos, reacender a vida prestes a extinguir-se.


Autor: Allan Kardec
Livro: O Livro dos Espíritos

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