quinta-feira, 12 de junho de 2014

Sorte das Crianças após a Morte

197. O Espírito de uma criança que morreu em tenra idade é tão adiantado quanto o do adulto?
“Algumas vezes, muito mais, pois pode ter vivido muito mais e ter mais experiência, sobretudo, se ele progrediu.”

a) O Espírito de uma criança pode, assim, ser mais adiantado do que o de seu pai?
“Isto é muito freqüente; não o vedes, freqüentemente, vós mesmos, na Terra?”

198. O Espírito da criança que morre pequenina, não tendo podido fazer o mal, pertence às classes superiores?
“Se não fez o mal, tampouco fez o bem, e Deus não o isenta das provas que deva experimentar. Se for puro, não é porque fosse uma criança, mas por ser mais adiantado.”

199. Por que a vida é, freqüentemente, interrompida na infância?
“A duração da vida da criança pode ser, para o Espírito que nela está encarnado, o complemento de uma existência interrompida, antes do termo desejado, e sua morte é, freqüentemente, uma prova ou uma expiação para os pais.”

a) O que ocorre ao Espírito de uma criança que morre em tenra idade?
“Recomeça uma nova existência.”

Se o homem tivesse uma única existência e se, após essa existência, sua sorte futura fosse fixada pela
eternidade, qual seria o mérito da metade da espécie humana que morre em tenra idade, para gozar, sem esforços, da felicidade eterna, e com que direito se acharia isenta das condições, freqüentemente tão duras, impostas à outra metade? Tal ordem de coisas não estaria de acordo com a justiça de Deus. Pela reencarnação, a igualdade é para todos; o futuro pertence a todos, sem exceção e sem favoritismo para ninguém; os que chegam por último não podem queixar-se, senão de si mesmos. O homem deve ter o mérito de seus atos, como tem deles a responsabilidade.

Aliás, não é racional considerar a infância como um estado normal de inocência. Não se vêem crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que a educação não pôde ainda exercer sua influência? E algumas delas que parecem trazer de berço a astúcia, a falsidade, a perfídia, o próprio instinto do roubo e do assassínio, e isto, não obstante os bons exemplos de que estão cercadas? A lei civil as absolve de seus crimes, porque diz que eles agiram sem discernimento; e tem razão, porque, com efeito, elas agem mais instintiva do que deliberadamente; porém, de onde provêm esses instintos tão diferentes em crianças da mesma idade, educadas nas mesmas condições e submetidas às mesmas influências? De onde vem essa perversidade precoce, senão da inferioridade do Espírito, visto que a educação não promoveu isto? Os que são viciosos, é porque seu espírito progrediu menos e, então, experimentam as conseqüências, não de seus atos infantis, mas dos de suas existências anteriores e, assim, a lei é a mesma para todos, e a justiça de Deus atinge todo o mundo.


Autor: Allan Kardec
Do livro: O Livro dos Espíritos

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