sábado, 21 de março de 2015

O Grande Enigma

O Grande Enigma
O Grande Enigma
Somente a Ciência contemporânea é que nos revela Deus, o Ser Universal? O homem interroga a história da Terra. Evoca a lembrança das multidões mortas, gerações que repousam sob a poeira dos séculos. Interroga a fé crédula dos simples e a fé raciocinada dos sábios, e por toda a parte, acima das opiniões contraditórias e das disputas de escolas, acima das rivalidades de castas, de interesses e de paixões, por toda a parte ele vê os impulsos, as aspirações do pensamento humano na direção da Grande Causa que vela, augusta e silenciosa, sob o véu misterioso das coisas.

Em todos os tempos e em todos os meios, o lamento humano sobe para esse espírito divino, para essa Alma do Mundo que se honra sob nomes diversos, mas que, sob tantas denominações: Providência, Grande Arquiteto, Ser Supremo, Pai Celeste, é sempre o Centro, a Lei, a Razão Universal, em quem o mundo se conhece, se possui, encontra sua consciência e seu eu.

E é assim que acima desse incessante fluxo e refluxo de elementos passageiros e mutáveis, acima dessa variedade, dessa diversidade infinita dos seres e das coisas, que constituem o domínio da Natureza e da vida, o pensamento encontra no Universo esse princípio fixo, imutável, essa Unidade consciente, em que se
unem a essência e a substância, fonte primeira de todas as consciências e de todas as formas. Pois consciência e forma, essência e substância, não podem existir uma sem a outra. Elas se unem para constituir essa Unidade Viva, esse Ser absoluto e necessário, fonte de todos os seres, que nós chamamos Deus.

Mas a linguagem humana é impotente para exprimir a ideia do Ser Infinito. Desde que nos servimos de nomes e de termos, limitamos o que é sem-limites. Todas as definições são insuficientes e, numa certa medida, induzem a erro. Entretanto, o pensamento, para expressar-se, tem necessidade de termos. O menos afastado da realidade é aquele pelo qual os sacerdotes do Egito designavam Deus: Eu sou, isto é, sou o Ser por excelência, absoluto, eterno, de quem emanam todos os seres.

Um mal-entendido secular divide sobre estas questões as escolas filosóficas. O materialismo não via no Universo senão a substância e a força. Ele parecia ignorar os estados quintessenciados, as transformações infinitas da matéria. O Espiritualismo não vê ainda em Deus senão o princípio espiritual. Considera como imaterial tudo o que não passa pelos nossos sentidos. Ambos se enganam. O mal-entendido que os separa não cessará senão quando os materialistas virem no seu princípio e os espiritualistas no seu Deus a fonte dos três elementos: substância, força, inteligência, cuja união constitui a vida universal.



Autor: Léon Denis
Do livro: O Grande Enigma.

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