sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Partindo algemas

Partindo algemas
Partindo algemas
“Amai os vossos inimigos” – ensinou-nos o Excelso Mestre.

Para aqueles que recolhem o triste atestado da sobrevivência da alma no cadinho ebuliente da obsessão, semelhante afirmativa não induz ao endeusamento do irmão que se lhe considera adversário e que se acoberta por trás da fronteira de cinzas, mas expressa anseio renovador de quem despe a armadura sufocante do egoísmo e se desfaz da máscara do orgulho.

O homem que se julga invulnerável à obsessão, está a caminho dela e, nela, ambos, cordeiro e carrasco, sofrem muito, pois não há rancor feliz. Por isso mesmo a duração da influência perniciosa é sempre limitada, de vez que duas forças iguais em conflito lutam, por algum tempo, entre si, para se anularem, mutuamente, depois.

Um par de dores idênticas se entende...

A paz íntima é comprada a suor.

Amar os desafetos, sem opor ódio ao ódio, é o antídoto sublime de toda influenciação nociva, no
reino do espírito.

Em razão disso, visando sobretudo àqueles irmãos que padecem enceguecidos temporariamente por lágrimas dolorosas, nas algemas emocionais do sofrimento, indicamos algumas das atitudes preciosas da criatura que, além de evidenciarem vontade manifesta e interesse espontâneo de acertar, ante as leis do destino, refazem-nos, com segurança, a existência, e descerram novos roteiros de alegria e concórdia para a nossa vida, inevitavelmente conjugada à vida dos outros:

Não pensar mal de ninguém, em particular do desafeto desencarnado.

Evitar toda discussão, perdoando incondicionalmente a todos os companheiros de nossa convivência, dos quais tenhamos recebido esse ou aquele motivo de revolta ou de mágoa;

Ajudar a quem sofre, principalmente aos irmãos que ainda se encontram na carne, categorizados à conta de parentes, amigos e afeições, incluindo os adversários gratuitos de qualquer procedência.

Fazer, no campo da fraternidade entre os homens, o bem que desejamos venha a ser feito pelo companheiro ainda doente na Espiritualidade inferior.

Controlar as próprias reações, convicto de que apenas a nossa mente consegue dirigir os mecanismos do corpo físico.

Usar os recursos da prece sincera, do passe reconfortante, da água magnetizada e do culto doméstico do Evangelho, por energias superiores de sustentação moral e mental.

Ver o lado melhor de todos os seres e de todas as coisas, sem alimentar ideias de tristeza ou irritação, queixa ou desânimo.

Esforçar-se por ser humilde, reconhecendo os erros pessoais, quando eles existam, sem cultivar remorsos destrutivos, de modo a não reduzir a nossa capacidade de entender e servir, porquanto apenas no trabalho dobem acharemos caminho à própria libertação, seguindo nas pegadas do Senhor.



Autor: Cairbar Schutel
Do livro: Seareiros de Volta.

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