sábado, 21 de maio de 2016

A Vida no espaço e a erraticidade

A Vida no espaço e a erraticidade
A Vida no espaço e a erraticidade
Segundo algumas doutrinas religiosas, a Terra é o centro do Universo e o céu arredonda-se como abóbada acima de nós. É na sua parte superior, dizem, que se assenta a morada dos bem aventurados, e o inferno, habitação dos réprobos, prolonga suas sombrias galerias nas entranhas do próprio globo.

A Ciência moderna, de acordo com o ensino dos espíritos, mostrando-nos o Universo semeado de inumeráveis mundos habitados, trouxe um golpe mortal a essas teorias.

O céu está em toda parte; em toda parte o incomensurável, o insondável, o infinito; em toda parte um formigamento de sóis e de esferas, dentre os quais nossa Terra é apenas ínfima unidade.

No meio dos Espaços, não há mais moradas circunscritas para as almas. Tanto mais livres são quanto mais puras, percorrem a imensidão e vão onde as levam suas afinidades e suas simpatias. Os espíritos inferiores, entorpecidos pela densidade de seus fluidos, ficam como que pregados ao mundo onde viveram, circulando na sua atmosfera ou misturando-se aos humanos. (...)
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Enquanto as almas libertas das influências terrestres constituem-se em grupos simpáticos, nos quais todos os membros se amam, se compreendem, vivem numa igualdade perfeita e em profunda felicidade, os espíritos que não puderam vencer suas paixões levam uma vida errante, nômade, que sem ser uma causa de sofrimentos, deixa-os incertos, inquietos. Eis o que se chama erraticidade, e essa é a condição da maioria dos espíritos que viveram na Terra, espíritos nem bons, nem maus, mas fracos e inclinados às coisas materiais. Encontram-se na erraticidade multidões imensas, sempre à procura de um estado melhor, que lhes foge. Espíritos inumeráveis aí flutuam, indecisos entre o justo e o injusto, a verdade e o erro, a sombra e a luz. Outros estão mergulhados no isolamento, na obscuridade, na tristeza ou vão recolhendo, daqui e dali, um pouco de benevolência e simpatia. 

A ignorância, o egoísmo, os defeitos de todo tipo reinam ainda na erraticidade e a matéria aí exerce sempre sua influência. O bem e o mal acotovelam-se. É, de alguma forma, o vestíbulo dos Espaços luminosos, dos mundos melhores. Todos por ali passam, todos permanecem, mas para elevarem-se mais alto.



Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte.

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