quinta-feira, 7 de julho de 2016

As vidas sucessivas. Reencarnação

As vidas sucessivas. Reencarnação
As vidas sucessivas. Reencarnação
(...) Algumas existências extinguem-se em poucos anos, em poucos dias; outras duram quase um século. E, ainda, de onde vêm os jovens prodígios: músicos, pintores, poetas, todos aqueles que, desde tenra idade, mostram disposições extraordinárias para as artes ou para as ciências, enquanto que tantos outros permanecem medíocres a vida inteira, apesar de um ardoroso trabalho? Da mesma forma, os instintos precoces, os sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza, contrastando, às vezes, tão estranhamente, com o meio em que se manifestam?

Se a vida individual começa apenas com o nascimento terrestre, se nada existe anteriormente para cada um de nós, em vão procuraremos explicar estas diversidades dolorosas, estas anomalias assustadoras e, mais ainda, conciliá-las com a existência de um Poder sábio, previdente, equitativo. Todas as religiões, todos os sistemas filosóficos contemporâneos vieram defrontar-se com este problema. Nenhum deles pôde resolvê-lo. Considerado sob o ponto de vista deles, que é o da unidade da existência para cada ser humano, o destino fica incompreensível, o plano do Universo se obscurece, a evolução estanca, o sofrimento se torna inexplicável. O homem, levado a crer na ação de forças cegas e fatais, na ausência de qualquer justiça distributiva, escorrega, insensivelmente, para o ateísmo e o pessimismo.


Ao contrário, tudo se explica, tudo se esclarece, pela doutrina das vidas sucessivas. A lei de Justiça revela-se, nos menores detalhes da existência. As desigualdades que nos chocam resultam das diferentes posições ocupadas pelas almas, em seus graus infinitos de evolução. O destino do ser é apenas o desenvolvimento, através dos tempos, da longa série de causas e efeitos desencadeados por seus atos. Nada se perde; os efeitos do bem e do mal se acumulam e germinam em nós, até o momento favorável à sua eclosão. Ora desabrocham rapidamente; ora, depois de longo tempo, transferem-se, repercutem de uma existência a outra, conforme amadureçam mais devagar ou mais depressa, sob a ação das influências ambientais. Mas nenhum desses efeitos pode desaparecer por si mesmo. Só a reparação pode suprimi-los.



Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser e do Destino

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