sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O dever

O dever
O dever
O dever é o conjunto das prescrições da lei moral, a regra de conduta do homem nas suas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro. Figura nobre e santa, o dever plana acima da Humanidade, inspira os grandes sacrifícios, os puros devotamentos, os belos entusiasmos. Risonho para uns, temível para outros, sempre inflexível, ergue-se diante de nós e nos mostra essa escada do progresso, cujos degraus se perdem nas alturas incomensuráveis.

O dever não é idêntico para todos. Varia segundo nossa condição e nosso saber. Quanto mais nos elevamos, mais ele adquire aos nossos olhos grandeza, majestade, extensão. Seu culto, porém, é sempre agradável ao sábio, e a submissão às suas leis é fértil de alegrias íntimas, às quais nada pode se igualar.

Por mais obscura que seja a condição do homem, por mais humilde que seja sua sorte, o dever domina e enobrece sua vida. Somente ele nos dá essa serenidade de espírito, essa calma interior, mais preciosa do que todos os bens da Terra e que todos nós podemos experimentar, até no meio das provações e dos reveses. Não somos senhores para mudar os acontecimentos e nosso destino deve seguir sua linha rigorosa; mas podemos sempre, mesmo em meio às tormentas, assegurarmos a paz de consciência, o contentamento de nós mesmos, que proporciona o cumprimento do dever.


O sentimento do dever lança raízes profundas em todo espírito elevado que percorre sua estrada sem esforços; por uma tendência natural, resultado dos progressos adquiridos, afasta as coisas vis e orienta para o bem os impulsos do seu ser. O dever torna-se, portanto, uma obrigação de todos os instantes, a condição mesma da existência, uma potência à qual se sente indissoluvelmente ligado, na vida como na morte.

O dever tem formas múltiplas. Há o dever para conosco, que consiste em respeitar-nos, em governarmo-nos com sabedoria, a querer, a realizar apenas o que é digno, útil e belo. Há o dever profissional, que exige que cumpramos, com consciência, as obrigações a nosso cargo. Há o dever social, que nos convida a amar os homens, a trabalhar por eles, a servir ao nosso país e à Humanidade. Há o dever para com Deus. O dever não tem limites. Pode-se sempre fazer melhor, e é na imolação de si mesmo que o ser encontra o meio mais seguro de se engrandecer e de se depurar.



Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte, cap. XLIII

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