terça-feira, 1 de novembro de 2016

Origem e autenticidade dos Evangelhos

Origem e autenticidade dos Evangelhos
Origem e autenticidade dos Evangelhos
Nos tempos passados, bem antes da vinda de Jesus, a palavra dos profetas, como um raio encoberto da verdade, preparava os homens para os ensinamentos mais profundos do Evangelho.

Porém, já deturpado pela versão dos Setenta, o Antigo Testamento não dava mais, nos últimos séculos antes de Cristo, senão uma vaga intuição das verdades superiores.

“As verdades eternas, que são os pensamentos de Deus”, nos diz uma eminente individualidade do Espaço, “foram comunicadas ao mundo em todas as épocas, levadas a todos os meios, postas ao alcance das inteligências com uma bondade paternal. Mas o homem muitas vezes não as tem reconhecido. Desdenhoso dos princípios ensinados, levado por suas paixões, ele sempre passou perto de grandes coisas sem as ver. Esse descuido da nobre moral, causa de decadência e de corrupção, levaria as nações a sua perda, se a mão da adversidade e as grandes comoções da História, agitando profundamente as almas, não tornassem a trazê-las em direção a verdade”.

Veio Jesus, espírito poderoso, missionário divino, médium inspirado. Ele veio, encarnando entre os humildes, a fim de dar a todos o exemplo de uma vida simples e, no entanto, cheia de grandeza, vida de abnegação e de sacrifício, que devia deixar traços indeléveis sobre a Terra.


A nobre figura de Jesus ultrapassa todas as concepções do pensamento. Eis por que ela não pode ser criada pela imaginação. Nessa alma, de uma serenidade celeste, não se vê nenhuma mancha, nenhuma sombra. Nela todas as perfeições se fundem com uma harmonia tão perfeita que ela nos aparece como o ideal realizado.

Sua doutrina, toda de amor e de luz, dirige-se especialmente aos humildes e aos pobres, a essas mulheres, a esses homens do povo curvados para a terra, a essas inteligências rebaixadas sob o peso da matéria e que esperam, na prova e no sofrimento, a palavra de vida que deve consolá-los e reanimá-los.

E essa palavra lhes e dada com uma tão penetrante doçura, exprime uma fé tão comunicativa, que expulsa todas as suas dúvidas e os leva a seguir os passos do Cristo.

O que Jesus denominava “pregar aos simples o Evangelho do reino dos céus” era colocar ao alcance de todos o conhecimento da imortalidade e do Pai comum, do Pai do qual se ouve a voz na paz do coração, na tranquilidade da consciência.

Pouco a pouco essa doutrina, transmitida oralmente nos primeiros tempos do Cristianismo, se altera e se complica sob a influência das correntes contrárias que agitam a sociedade cristã.



Autor: Léon Denis
Do livro: Cristianismo e Espiritismo

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