sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O Universo e Deus

O Universo e Deus
O Universo e Deus
Na hora em que o silêncio e a noite se estendem sobre a Terra, quando tudo repousa nas moradas humanas, se dirigimos nosso olhar para o infinito dos céus, nós o veremos entremeado de luzes inumeráveis. Astros radiosos, sóis resplandecentes, seguidos pelos seus cortejos de planetas, evolvem
aos milhares nas profundezas. Até as regiões mais recuadas, grupos estelares se desdobram como lenços luminosos. Em vão o telescópio sonda os céus, em parte alguma ele encontra limites para o Universo; em toda parte os mundos se sucedem aos mundos, os sóis aos sóis; em toda a parte legiões de astros se multiplicam a ponto de se confundir numa brilhante poeira nos abismos sem-fim do Espaço.


Que palavra humana poderia descrever-lhes, maravilhosos diamantes do escrínio celeste? Sirius, vinte vezes maior que o nosso Sol, ele próprio igual a mais de um milhão de globos terrestres reunidos; Aldebaran, Vega, Procyon, sóis cor-derosa, azuis, escarlates, astros de opala e safira, que derramam na imensidão seus raios multicores, raios que, apesar de uma velocidade de seiscentas mil léguas por segundo, só chegam até nós depois de centenas e de milhares de anos! E vós, nebulosas longínquas, gerais os sóis, universos em formação, trêmulas estrelas apenas perceptíveis, que sois focos gigantescos de calor, de luz, de eletricidade e de vida, mundos cintilantes, esferas imensas! E vós, povos inumeráveis, raças, humanidades siderais que os habitais! Nossa voz fraca tenta em vão proclamar vosso esplendor, impotente, ela se cala, enquanto que nosso olhar fascinado contempla o desfile dos astros.



Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

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