terça-feira, 7 de novembro de 2017

Sentido Oculto dos Evangelhos

Sentido Oculto dos Evangelhos
Sentido Oculto dos Evangelhos
Se as Escrituras fossem em seu conjunto apenas um amontoado de alegorias, uma obra de imaginação, a doutrina de Jesus não se poderia ter mantido através dos séculos no meio de correntes diversas que agitaram a sociedade cristã. Construção sem base, ela se teria desagregado, desfeito sob o sopro dos tempos. No entanto, ela está de pé e domina os séculos, apesar das alterações sofridas, apesar de tudo o que os homens fizeram para desfigurá-la, para afogá-la nas ondas de uma interpretação errônea.

A crença em um mito não seria suficiente para inspirar aos primeiros cristãos o espírito de sacrifício, o heroísmo diante da morte; ela não lhes teria fornecido os meios de fundar uma religião que dura há vinte séculos. Apenas a verdade pode desafiar o tempo e conservar sua força, sua moral, sua grandeza, apesar dos esforços da sapa que procura arruiná-la. Jesus é, indubitavelmente, a pedra angular do Cristianismo, a alma da nova revelação. Ele é toda a sua originalidade.(...)

Essa doutrina era simples e clara em seus princípios essenciais; eles se dirigiam ao povo, principalmente aos humildes e aos deserdados. Tudo, nela, era feito para sensibilizar os corações, para conduzir as almas ao entusiasmo, esclarecendo, fortificando as consciências. Ela, no entanto, contém os traços de um ensinamento secreto. Jesus muitas vezes fala por parábolas. Seu pensamento, habitualmente tão luminoso, por vezes se afoga em uma semiobscuridade. Não se percebe, então, mais que os vagos contornos de uma grande ideia, dissimulada sob o símbolo.(...)

O fundador do Cristianismo não separava a ideia religiosa da sua aplicação social. O “reino dos céus” era, para ele, essa sociedade perfeita dos espíritos cuja imagem ele queria concretizar na Terra. Mas ele devia contrariar os interesses estabelecidos e dar origem, à sua volta, a mil obstáculos, mil perigos. Daí uma nova razão para esconder, sob o mito da parábola, do mistério, aquilo que, em sua doutrina, ia chocar as ideias reinantes e ameaçar as instituições políticas ou religiosas.



Autor: Léon Denis
Do livro: Cristianismo e Espiritismo.

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