sábado, 14 de julho de 2018

Por que ser médium?



Por que ser médium?
Por que ser médium?
O planejamento reencarnatório é um dos momentos de grande importância na vida do espírito errante. É o instante sublime para decidir como será sua próxima encarnação, que é o caso da maioria dos reencarnantes no planeta Terra, e esse processo se dá com o auxílio de experientes guias espirituais.

Se há necessidade de um planejamento reencarnatório é porque o espírito em questão precisa passar por situações de vivência corporal para se quitar com a Lei de Deus, já que a reencarnação é circunstância que Deus impõe aos espíritos recalcitrantes.

A reencarnação é em essência presente da misericórdia de Deus, que por amor e justiça, espera enquanto o filho aprende a viver para zelar pelo cumprimento da ordem universal, rumo à perfeição. É o processo vivo de Educação Espiritual.

Contudo nem todos a apreciam desse modo.

É então que a reencarnação pode ser vivida como expiação, isto é, o espírito vive como prisioneiro de suas próprias más ações cometidas em épocas pregressas. Se ainda não se arrependeu dos maus feitos, a dor será a disciplinadora. Se já se arrependeu, a dor expiatória pode ser abrandada através da reparação, que é fazer o bem àquele a quem se fez mal. [1]


Um dos recursos disponibilizados para o cumprimento dos objetivos da reencarnação rumo à perfeição é a Mediunidade. Cumpre-se nela meio de expiação e de solidariedade. Cumpre-se nela missão e socorro a muitos sofredores, onde se funda a solidariedade. Cumpre-se nela a co-criação e sua faculdade inerente de pensar que enseja relacionamentos espirituais por atração e afinidade visando à conscientização do compromisso do ser que assimila a força constante de Deus. [2]

Mas o que é Mediunidade?

Segundo Kardec em o Livro dos Médiuns questão 159:

Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva.”

Assim há os médiuns em que a mediunidade eclode ostensivamente, desse modo difícil não lhe dar a devida atenção. Entretanto há aqueles cujos sinais são mais sutis, nem por isso deixam de produzir no cotidiano do médium incômodos ligeiros que podem levar de pequenas dificuldades a grandes transtornos.

Kardec esclarece que para ser Médium faz-se mister que a faculdade mediúnica esteja bem caracterizada e organizada. Então não basta sentir de forma difusa o mundo espiritual. É necessário estudo da doutrina espírita, autoexame, prática consciente e vivência da mediunidade permanente.

Os Centros Espíritas são instituições que favorecem este labor através do estudo sistematizado, socorro aos espíritos desencarnados, passes de cura, irradiação, evangelização, reuniões públicas onde ocorre o socorro espiritual concomitantemente com a divulgação doutrinária que esclarece e consola.

A mediunidade é bênção divina para o reajuste do espírito perante as Leis Universais, entretanto quando ela se manifesta conclamando a ação, alguns espíritos encarnados, mesmo com a opção feita no planejamento reencarnatório, se ainda estão afeitos as sensações e gozos da carne, esquecem-se de que a escolheram como benefício para o próprio progresso.

Inicialmente podem desconhecer seus sinais e por isso retardarem o uso adequado destas funções, porém tão logo sejam identificados, urge passar ao trabalho de socorro com o Cristo.

Desde tempos remotos:

Mediunidade sempre esteve entre as faculdades psíquicas desde tempos imemoriais e já foi tratada de forma bastante peculiar invocando o maravilhoso ou sobrenatural como meio de despertar o medo e o controle, salvo os que com humildade a utilizou para a cura. Ou aqueles que se expressaram nas ciências ou nas artes, invariavelmente ignorando o processo, sendo instrumento do progresso.

É um conhecimento milenar, que foi pulverizado por diversas doutrinas e pensamentos. Muitos destes não a identificavam como recurso de socorro aos irmãos sem corpo de carne, nem tampouco como ferramenta para auxílio a si mesmo. Até o advento do Consolador prometido por Jesus que teve na personalidade de Allan Kardec a condição de reunir através das mensagens dos Espíritos toda uma gama de ideias e organizá-las para ulterior utilização da humanidade.

No livro Seara dos Médiuns Emmanuel sintetiza: “A mediunidade é ensejo de serviço e aprimoramento, resgate e solução”.

Portanto, a hora que o convite da imortalidade soar no mais íntimo através dos sinais de aproximação dos companheiros desencarnados que reclamam vingança, auxílio, esclarecimento, socorro, que cada qual faça valer o acordo anterior, reorganizando a vida de encarnado para incluir o trabalho com o Cristo e desenvolver um labor diário.

O início do serviço exige determinação para mudar o padrão vibratório de costume, buscando o pensamento de paz e amor, perdão e solidariedade através da prece e da busca da sintonia com os bons espíritos, que no devido tempo favorecerá o médium.

O aprimoramento surge como resposta ao clamor inicial, desde que trabalhado consciente e determinadamente, com afinco, coroando o esforço através do estudo primoroso da doutrina espírita.

O resgate aos irmãos necessitados através da dedicação própria, e o resgate de si mesmo das fieiras do desequilíbrio resultante das forças vividas por afinidade com a satisfação das paixões desequilibrantes.

É a solução para o retorno essencial a harmonia com as Leis Universais quitando os débitos contraídos no passado. A mediunidade será realizada de acordo com o que for feito dela, por cada qual segundo seus princípios.  

De acordo com o esclarecimento do espiritismo, o médium vai se aperfeiçoando moralmente, já que através da educação mediúnica passa a limitar seus impulsos de satisfação estéril e atenta novo rumo, agora, para a vida imortal. Desenvolve sentimento de compaixão e solidariedade ao experimentar a dor do outro que também é sua, e ainda, fortalece em si a compreensão e o não julgamento.

E aprimora também, através das orações, para socorros frequentes aos desencarnados e das reflexões para compreensão dos eventos experimentados, o próprio pensamento, e assim conquista uma continuidade no pensar que cria a realidade em que vive. É na força mental do pensamento que os poderes do Espírito se revelam, pois ele é “o alicerce vivo de todas as realizações no plano físico e extrafísico”. [2]
               
Pode-se concluir então: Mediunidade quando vista de um ponto prematuro, apressado e preso às vivências materiais aparece como ‘castigo’, ‘sofrimento’ e ‘dor’, já com os esclarecimentos que a Doutrina Espírita oportuniza transforma fenômenos mediúnicos em força disciplinadora sintonizado com o ideal cristão e a Vontade de Deus. [3]

Desta forma a mediunidade contribui na evolução, individual e coletiva, e põe os espíritos a serviço de Deus para contribuir nas obras da criação. [4]

E finalmente, transforma a Mediunidade Torturada em Mediunidade Gloriosa a caminho de um mundo de regeneração que compete a cada um no cumprimento dos seus deveres, para consigo mesmo e para com o próximo, sempre seguindo os ensinamentos evangélicos de Jesus: “o qual recompensará cada um segundo suas obras”. (Ro 2:6)






Referência Bibliográfica:


[1] – Allan Kardec – O Céu e o Inferno – Código Penal da Vida Futura – Artigo 16º
[2] – Marlene Nobre – A Alma da Matéria – Cap. Matéria Mental e Co-Criação
[3] – Martins Peralva – Mediunidade e Evolução – Cap. 26 Mediunidade
[4] – Allan Kardec – O Livro dos Espíritos - Questão 132


Autora:

Cláudia Alcântara


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