terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O grande enigma


O Grande Enígma
Pouco a pouco, levanta-se o véu; o homem começa a entrever a grandiosa evolução da vida na superfície dos mundos. Vê a correlação das forças e a adaptação das formas e dos órgãos em todos os meios. Sabe que a vida se desenvolve, se transforma e se depura à medida que ela percorre sua espiral imensa. Compreende que tudo está regulado em vista de um objetivo, que é o aperfeiçoamento contínuo do ser e o crescimento nele da soma do bem e do belo.

Mesmo neste mundo, ele pode seguir essa lei majestosa do progresso através de todo o lento trabalho da Natureza, desde as formas mais inferiores do ser, desde a célula verde flutuando no seio das águas, até o homem consciente em quem a unidade da vida se afirma, e acima dele, de degrau em degrau, até o Infinito. E essa ascensão só se compreende, só se explica através da existência de um princípio universal, de uma energia incessante, eterna, que penetra toda a Natureza; é ela quem regula e estimula essa evolução colossal dos seres e dos mundos em direção ao melhor, em direção ao bem.



Deus, tal qual o concebemos, não é pois o Deus do panteísmo oriental, que se confunde com o Universo, nem
o Deus antropomórfico, monarca do céu, exterior ao mundo, de que nos falam as religiões do Ocidente. Deus é manifestado pelo Universo que dele é a sua representação sensível, mas com ele não se confunde. Assim como em nós a unidade consciente, a alma, o eu, persiste em meio às modificações incessantes da matéria corporal, assim, no meio das transformações do Universo e da incessante renovação de suas partes, subsiste o Ser imutável que é a alma, a consciência, o eu que a anima, comunica-lhe o movimento e a vida.

E esse grande Ser, absoluto, eterno, que conhece nossas necessidades, ouve nossos apelos, nossas preces, que é sensível às nossas dores, é como o imenso foco em que todos os seres, pela comunhão do pensamento e do sentimento, vêm haurir as forças, os socorros, as inspirações necessárias para guiá-los nos caminhos do destino, para sustentá-los nas suas lutas, consolá-los nas suas misérias, levantá-los nas suas fraquezas e suas quedas.


Autor: Léon Denis
Do livro: O grande enigma

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