domingo, 15 de abril de 2012

Dores e Decepções

Por Alexandre Bentes


Dores e decepções
Não será preciso um olhar muito apurado para observar o sofrimento à nossa volta. A dor se alastra visitando lares, escolas, hospitais, caminha pelas ruas, frequenta condomínios de luxo, não se intimida com festas ou datas solenes..., um breve olhar e nos certificaremos de que está em toda a parte. No entanto, qual será, sob o ponto de vista espírita, a desgraça real? A perda de um ente querido? O desemprego? Uma doença grave? A miséria? As privações?

Nossa mente se inquieta frente à dor e é fato que esta, de modo geral, nos incomoda, e dela buscamos nos afastar ou, na medida do possível, permanecer em semelhante condição o menor tempo possível. Diante dela, no entanto, revelamos muito do que somos ou conquistamos enquanto espíritos. Será bastante proveitoso refletirmos sob a nossa postura diante do sofrimento no exercício do conhecimento de si mesmo.


Como devo me comportar diante da dor? Que lição posso tirar de um episódio doloroso? A adversidade implica necessariamente sofrimento?

Léon Denis, em seu livro Depois da Morte afirma: "É no crisol da dor que se depuram as grandes almas". Estas "grande almas", arriscaria em dizer, são as mesmas que, há anos, nos sugerem, por meio de depoimentos e exemplos diversos, a resignação diante da adversidade.

Para adotarmos, de boa mente, essa postura sem-disfarces de inércia ou pessimismo, precisamos compreender o papel da dor. Mas daí se faz um questionamento: Será que temos essa consciência?

Já sabemos que o objetivo da reencarnação é o progresso do espírito e aprendemos que as dificuldades e vicissitudes da vida são um dos veículos para se alcançar este progresso. Ela nos coloca na condição de exercitarmos a nossa fé, nosso raciocínio, nossa paciência, nossa perseverança, e, especialmente, nossa humildade. No entanto, constatamos que, nestes momentos difíceis, nos irritamos e tomamos atitudes precipitadas, justamente quando deveríamos, em verdade, usar de cautela e vigilância para que a exasperação não comprometesse os benefícios que um episódio doloroso pode trazer  na acústica da alma em seu processo regenerador.

Por que, então, apesar do nosso conhecimento, continuamos a murmurar diante da dor? Qual é a nossa dificuldade em aplicar estes conhecimentos?

Precisamos exercitar nossa visão, aprender a enxergar  as situações difíceis, como espíritos imortais que somos, lembrando que o sofrimento nos submete a uma disciplina moral que retempera o caráter, e que a experiência adversa é um acelerador do progresso.

É fundamental encararmos o momento da dor como uma grande oportunidade de refazimento e conquistas...

Outro fator importante concernente à dor é que aquele que já sofreu compreende e é mais sensível a dor do outro; neste quesito, podemos nos ver como irmãos, nos reconhecermos em nossa fragilidade. Se não sofrêssemos nem males nem reveses, estaríamos entregues às paixões; nosso orgulho e egoísmo se insuflariam e, consequentemente, amontoaríamos "faltas novas sobre faltas passadas".

Léon Denis, sobre isso, afirma que "a desgraça será então tudo o que manchar, tudo o que aniquilar o adiantamento, tudo o que lhe for um obstáculo". E enfatiza: "Oh! Vidas simples e dolorosas, embebidas de lágrimas, santificadas pelo dever; vidas de luta e renúncia, existências de sacrifício para a família, para os fracos, para os pequenos, mais meritórias que as dedicações célebres, vós sois outros tantos degraus que conduzem a alma à felicidade. É a vós, é às humilhações, é aos obstáculos de que estais semeadas que a alma deve sua pureza, sua força, sua grandeza. Vós somente, nas angústias de cada dia, nas imolações da matéria, conferis à alma a paciência, a resolução, a constância, todas as sublimidades da virtude, para então se obter essa coroa, essa auréola esplêndida, prometida no Espaço para a fronte dos que sofrem, lutam e vence!"


Fonte: Revista de Estudos Espíritas

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