sábado, 25 de janeiro de 2014

Ocupações dos espíritos

Ocupações dos espíritos
Ocupações dos espíritos
As ocupações dos espíritos da segunda ordem consistem em se preparar para as provas que terão que sofrer, por meditações sobre suas vidas passadas, e observações sobre os destinos dos humanos, seus vícios, suas virtudes, o que pode aperfeiçoá-los ou fazê-los falir. Aqueles que têm, como eu, a felicidade de ter uma missão, dela se ocupando com tanto mais zelo e amor que o adiantamento das almas que lhes são confiadas lhe é contado como um mérito; eles se esforçam, pois, em lhes sugerir bons pensamentos, em ajudar seus bons movimentos, em afastá-lo dos espíritos maus, opondo-lhe doce influência às influências nocivas. Essa ocupação interessante, sobretudo quando se é bastante feliz para dirigir um médium e ter comunicações diretas, não afasta do cuidado e do dever de se aperfeiçoar.

Não creias que o tédio possa atingir um ser que não vive senão pelo espírito e cujas faculdades tendem para um objetivo, que sabe distante mas certo. O tédio não resulta senão do vazio da alma e da esterilidade do pensamento; o tempo, tão pesado para vós que o medis pelos vossos medos pueris ou vossas frívolas esperanças, não faz sentir sua marcha àqueles que não estão sujeitos nem às agitações da alma, nem às necessidades do corpo. Passa ainda mais depressa para os espíritos puros e superiores, que Deus encarrega da execução de suas ordens, e que percorrem as esferas num voo rápido.


Quanto aos espíritos inferiores, sobretudo aqueles que têm pesadas faltas para expiar, o tempo se mede pelos seus desgostos, seus remorsos e seus sofrimentos. Os mais perversos dentre eles procuram disso escapar fazendo o mal, quer dizer, sugerindo-o.

Eles sentem então essa acre e fugidia satisfação do enfermo que raspa a sua ferida e não faz senão aumentar a sua dor. Seus sofrimentos também aumentam de tal modo que acabam, fatalmente, em procurar o remédio, e que não é outro senão o retorno ao bem.

Os pobres espíritos, que foram culpados por fraqueza ou ignorância, sofrem pela sua inutilidade, seu isolamento. Lamentam seu envoltório terrestre, por mais dor que lhes haja dado; revoltam-se e se desesperam até o momento em que percebem que só a resignação e uma firme vontade de retornar ao bem podem aliviá-los; conformam-se e compreendem que Deus não abandona nenhuma de suas criaturas.



Autor: Marcillac. Espírito familiar.
Do Livro: Revista Espírita, junho 1861

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