domingo, 18 de maio de 2014

Terceira Ordem — Espíritos Imperfeitos

101. Caracteres gerais. — Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões que lhes são consequentes.

Têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.

Nem todos são, essencialmente, maus; em alguns há mais leviandade, inconsequência e malícia do que verdadeira maldade. Uns não fazem o bem nem o mal; mas, simplesmente por não fazerem o bem, denotam sua inferioridade.

Outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos, quando encontram oportunidade de praticá-lo.

Eles podem aliar a inteligência à maldade ou à malícia; porém, qualquer que seja o seu desenvolvimento intelectual, suas idéias são pouco elevadas e seus sentimentos mais ou menos abjetos.

Seus conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita são limitados e o pouco que sabem se confunde com
as idéias e os preconceitos da vida corporal.

Dele só nos podem dar noções falsas e incompletas; porém, o observador atento encontra, freqüentemente, nas suas comunicações, mesmo imperfeitas, a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espírito Superiores.

Seu caráter se revela através de sua linguagem. Todo Espírito que, em suas comunicações, trai um mau pensamento, pode ser classificado na terceira ordem; por conseguinte, todo mau pensamento que nos é sugerido vem de um Espírito dessa ordem.

Eles vêem a felicidade dos bons e esta visão é, para eles, um tormento incessante, porque experimentam todas as angústias que a inveja e o ciúme podem produzir.

Conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corporal, e esta impressão é, muitas vezes, mais penosa que a realidade. Sofrem, portanto, verdadeiramente pelos males que suportaram e por aqueles que fi zeram os outros suportar; e, como sofrem por longo tempo, acreditam sofrer para sempre; Deus, para puni-los, quer que acreditem dessa forma.

Pode-se dividi-los em cinco classes principais.

102. Décima classe. Espíritos impuros. — São inclinados ao mal e dele fazem o objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos pérfidos, sopram a discórdia e a desconfiança e mascaram-se de todas as formas para melhor enganar. Ligam-se aos caracteres fracos o bastante para cederem às suas sugestões, a fi m de impeli-los à sua perda, satisfeitos por poder retardar seu adiantamento, fazendo-os sucumbir nas provas que experimentam.

Nas manifestações, reconhecemo-los por sua linguagem: a trivialidade e a grosseria das expressões, nos espíritos como nos homens, é sempre um indício de inferioridade moral, senão intelectual. Suas comunicações revelam a baixeza de suas inclinações e, se querem iludir, falando de maneira sensata, não conseguem sustentar por muito tempo seu papel e sempre terminam por trair sua origem.

Alguns povos fi zeram deles divindades maléficas, outros os designam sob os nomes de demônios, maus gênios, Espíritos do mal.

Os seres vivos que eles animam, quando estão encarnados, são inclinados a todos os vícios que as paixões vis e degradantes engendram: a sensualidade, a crueldade, a torpeza, a hipocrisia, a cupidez, a avareza sórdida. Fazem o mal pelo prazer de fazê-lo, na maioria das vezes sem motivos e, por ódio ao bem, escolhem quase sempre suas vítimas entre pessoas honestas. São flagelos para a Humanidade, em qualquer categoria social a que pertençam e o verniz da civilização não os preserva do opróbrio e da ignomínia.

103. Nona classe. Espíritos levianos. — São ignorantes, astuciosos, inconsequentes e zombeteiros. Metem-se em tudo, respondem a tudo, sem se preocupar com a verdade. Gostam de causar pequenos desgostos e pequenas alegrias, de fazer intrigas, de induzir, maliciosamente, ao erro, através das mistificações e das espertezas. Pertencem a esta classe os Espíritos vulgarmente designados sob os nomes de duendes, diabretes, gnomos, trasgos. Acham-se sob a dependência dos Espíritos superiores, que freqüentemente os utilizam, como o fazemos com os criados.

Nas suas comunicações com os homens, sua linguagem é, algumas vezes, espiritual e graciosa, porém, quase sempre, sem profundidade; captam os defeitos e os ridículos, que divulgam com traços mordazes e satíricos. Se tomam nomes supostos, é mais freqüentemente por malícia do que por maldade.

104. Oitava classe. Espíritos Pseudo-sábios. — Seus conhecimentos são bastante extensos, porém, acreditam saber mais do que realmente sabem. Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, a linguagem deles possui um caráter sério, que pode enganar sobre suas capacidades e suas luzes; mas, em geral, isto não passa de um reflexo dos preconceitos e das idéias sistemáticas da vida terrestre; é uma mistura de algumas verdades a erros os mais absurdos, por entre os quais manifestam-se a presunção, o orgulho, o ciúme e a teimosia de que não puderam despojar-se.

105. Sétima classe. Espíritos neutros. — Não são nem bastante bons para fazerem o bem, nem bastante maus para fazerem o mal; pendem tanto para um quanto para o outro e não se elevam acima da condição comum da Humanidade, tanto pelo moral quanto pela inteligência. Apegam-se às coisas deste mundo, de cujas alegrias grosseiras sentem saudades.

106. Sexta classe. Espíritos batedores e perturbadores. — Estes Espíritos, propriamente falando, não formam uma classe distinta, em vista de suas qualidades pessoais; podem pertencer a todas as classes da terceira ordem. Com freqüência, manifestam, sua presença, através de efeitos sensíveis e físicos, tais como as pancadas, o movimento e o deslocamento anormal dos corpos sólidos, a agitação do ar, etc. Parecem, mais do que os outros, presos à matéria; parecem ser os agentes principais das vicissitudes dos elementos do globo, quer ajam sobre o ar, a água, o fogo, os corpos duros ou nas entranhas da Terra. Reconhece-se que esses fenômenos não são devidos a uma causa fortuita e física, quando possuem um caráter intencional e inteligente. Todos os Espíritos podem produzir estes fenômenos, mas os Espíritos elevados os deixam, geralmente, como atribuições dos Espíritos subalternos, mais aptos para as coisas materiais do que para as questões intelectuais. Quando julgam que manifestações deste gênero são úteis, servem-se destes Espíritos como auxiliares.


Autor: Allan Kardec
Livro: O Livro dos Espíritos

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