sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A dor e o prazer

A dor e o prazer
A dor e o prazer
A dor e o prazer são as duas formas extremas da sensação. Para suprimir uma ou outra, seria necessário suprimir a sensibilidade. Eles são, portanto, inseparáveis, em princípio, e, ambos, necessários à educação do ser que, em sua evolução, deve esgotar todas as formas ilimitadas de prazer e de dor.

A dor física produz sensações; o sofrimento moral, sentimentos. Mas, assim como o vimos acima, no sensorium íntimo, sensação e sentimento confundem-se e fazem uma coisa só.

O prazer e a dor residem, pois, bem menos nas coisas exteriores do que em nós mesmos. Por isso, é tarefa de cada um de nós, regulando suas sensações, disciplinando seus sentimentos, comandar umas e outros e limitar-lhes os efeitos. Epíteto dizia: “As coisas são apenas o que imaginamos que elas sejam”. Assim, pela vontade, podemos domar, vencer a dor, ou, pelo menos, utilizá-la em nosso proveito, fazer dela um instrumento de elevação.


A ideia que fazemos da felicidade e da infelicidade, da alegria e da tristeza, varia infinitamente segundo a evolução individual. A alma pura, boa, sábia, não pode ser feliz do mesmo modo que a alma vulgar. O que encanta uma, deixa a outra indiferente. À medida que nos elevamos, o aspecto das coisas muda. Assim como a criança que, quando cresce, não liga para as brincadeiras que, anteriormente, a cativavam, a alma que se eleva busca satisfações cada vez mais nobres, graves e profundas. O espírito que observa de cima e considera o objetivo grandioso da vida encontrará mais felicidade, mais paz e serenidade em um belo pensamento, uma boa obra, um ato de virtude, até mesmo na infelicidade que purifica, do que em todos os bens materiais e no brilho das glórias terrestres, pois estes nos perturbam, corrompem-nos, embriagam-nos com uma euforia enganadora.

É bastante difícil fazer com que os homens entendam que o sofrimento é bom. Cada qual gostaria de refazer e embelezar a vida do jeito que quisesse, enfeitá-la com todos os atrativos, sem pensar que não há bem sem dor nem ascensão sem esforços.



Autor: Léon Denis
Do Livro: O Problema do Ser e do Destino

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