quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A Consciência

A Consciência
A Consciência
O eu é uma coordenação passageira, disse Th. Ribot. Estas afirmações fundamentam-se em fatos experimentais, que não poderiam ser negligenciados, tais como: vida intelectual inconsciente, alterações da personalidade, etc.

Como aproximar e conciliar teorias tão distintas e, entretanto, baseadas, ambas, na ciência de observação? De um jeito bem simples. Pela própria observação, mais atenta, mais rigorosa. Myers disse isto, nestes termos:

“Uma busca mais profunda, mais ousada, na própria direção que os psicólogos (materialistas) preconizam, mostra que eles se enganaram, ao afirmar que a análise não provava a existência de
qualquer faculdade, além daquelas que a vida terrena, tal como eles a concebem, é capaz de produzir e o meio terrestre, de utilizar. Pois, na realidade, a análise revela os traços de uma faculdade, que a vida material ou planetária jamais teria podido produzir, cujas manifestações implicam, e fazem necessariamente supor, a existência de um mundo espiritual.

Por outro lado, e em favor dos partidários da unidade do eu, pode-se dizer que os dados novos prestam-se a fornecer a suas pretensões uma base muito mais sólida e uma prova presumível, que ultrapassa, em força, todas as que jamais pudessem imaginar; a prova notória de que o eu pode sobreviver, e sobrevive realmente, não só às desintegrações secundárias que o afetam, no curso de sua vida terrestre, mas também à desintegração última, que resulta da morte corporal. O “eu consciente” de cada um de nós está longe de compreender a totalidade de nossa consciência e de nossas faculdades. Há uma consciência mais vasta, faculdades mais profundas, a maioria das quais conserva-se virtual, no que concerne à vida terrestre; a consciência e as faculdades da vida terrestre só se separam delas consequentemente a uma escolha e elas se manifestam, de novo, em toda sua plenitude, depois da morte.

Cheguei a esta conclusão, que assumiu, para mim, sua forma atual, há quatorze anos, aproximadamente, devagar, como consequência de uma longa série de reflexões baseadas em provas, cujo número crescia progressivamente”.



Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser e do Destino.

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