sábado, 1 de agosto de 2015

A Dor

A Dor
A Dor
A ação da dor não é menos eficaz para as coletividades do que para os indivíduos. Não foi graças a ela que se constituíram os primeiros agrupamentos humanos? Não foi a ameaça das feras, da fome, dos flagelos, que impeliu o homem a procurar seu semelhante, para associar-se a ele? E de sua vida em comum, de seus sofrimentos comuns, de sua inteligência e de seu labor, originou-se toda a civilização, com suas artes, suas ciências, sua indústria!

A dor física, poder-se-ia dizer ainda, resulta da desproporção entre nossa fraqueza corporal e o conjunto das forças que nos rodeiam, forças colossais e fecundas que são tantas manifestações da vida universal. Não podemos assimilar-lhes senão uma parte ínfima; porém, atuando sobre nós, elas trabalham para aumentar, para alargar incessantemente a esfera de nossa atividade e a gama de nossas
sensações. Sua ação sobre o corpo orgânico repercute na forma fluídica; contribui para enriquecê-la, para dilatá-la, para torná-la mais impressionável, em uma palavra, apta a novos aperfeiçoamentos.

O sofrimento, por sua ação química, tem sempre um resultado útil, mas este resultado varia infinitamente, segundo os indivíduos e seu estado de adiantamento. Purificando nosso envoltório material, dá mais força ao ser interior, mais facilidade para se desligar das coisas terrestres. Em outros indivíduos mais evoluídos, agirá no  sentido moral. A dor é como uma asa emprestada à alma subjugada pela carne, para ajudá-la a desprender-se dela e a elevar-se mais.



Autor: Léon Denis
Do livro: O Problema do Ser e do Destino

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