sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Desprendimento

Desprendimento
Desprendimento
“(...) no instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; (...) naqueles sobretudo cuja vida foi toda material e sensual, o desprendimento é muito menos rápido, (...) quanto mais o espírito se haja identificado com a matéria, tanto mais penoso lhe seja separar-se dela; ao passo que a atividade intelectual e moral, a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendimento, mesmo durante a vida do corpo, de modo que, em chegando a morte, ele é quase instantâneo.” (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, perg. 155a.)


Que o amor único de Deus inspire todas as almas para o bem!

Todos aqueles que pensam que os espíritos se separam abruptamente do corpo só observam a separação física que, mesmo esta, não é tão rápida quanto possa parecer.

Os sinais de decomposição orgânica, as dificuldades próprias de quem se desliga da matéria, a própria observação do espírito, antecipadamente, do mundo que irá habitar brevemente tornam a separação algo diferente; difícil, mesmo, para muitas criaturas. 

O que falar daqueles que, sentindo-se presos às emoções terrenais ou ligados pelas emoções às criaturas a quem amam, começam o processo da desencarnação, observando a vida a esvair-se por entre os seus dedos, como que a se antecipar num processo lento, mas seguro da separação? O que falar dos que sentem que em breve deixarão os seus?


Para esses, a separação é extremamente demorada. Muitas vezes, vemos corpos sendo enterrados e espíritos presos à vida que acabam de deixar. Nesse caso, somente a Lei de Deus poderá interferir, mostrando à criatura humana que todos prosseguirão em suas vidas, a despeito da separação orgânica.

O homem precisa aprender a observar a própria existência; precisa ver que constantemente ele provoca uma separação. Suas ideias, seus sentimentos, sempre se renovando e se reelaborando, desligam-no do passado, das situações anteriores. A Lei de Deus faz isso conosco diariamente. Nós, entretanto, ao nos separarmos de modo um pouco mais enérgico, um pouco mais dolorido, ao nos sentirmos desligados, acreditamos não poder prosseguir. Sentimo-nos mais sofridos do que nunca, julgando ser a dor irreparável.

Homens, prestem atenção! Deus nos ensina a separação diariamente. E por que é que Deus nos faz essa proposta de separação? Por que é que muitas vezes nos sentimos desligar, a pouco e pouco, de certas emoções?

Trata-se, justamente, da caminhada na direção do progresso. Todos estamos, constantemente, sendo convidados a progredir. Nenhum de nós poderá ficar estático, como eterno expectante. Continuamente, somos obrigados a mudar de ideias, de sentimentos, para melhor, evidentemente. Somos chamados a mudar nosso comportamento. Agradeçamos a Deus permitir que isso aconteça. Percebamos na Providência Divina um encaminhamento de nosso espírito para as regiões celestiais, para as regiões de luz, para as regiões por hora inatingíveis, mas, um dia, lugares onde todos habitaremos.

Tais mudanças que vão sendo efetuadas em nosso íntimo mostram-nos a caminhada do espírito imortal. Somos itinerantes. O progresso é a meta; a elevação é o fim. Caminhando para Deus, vamos atingindo cada vez mais metas expressivas no nosso progresso, até que cheguemos, afinal, ao ápice de tudo: a perfeição.

Diante da morte do corpo, quando sentem antecipadamente o sofrimento, quando descobrem que alguém partiu, as pessoas passam por um processo muito doloroso, penoso, mesmo, para muitos de nós, espíritos de Deus. Mas informamos sempre às criaturas, dizendo-lhes: Olhem um pouco mais adiante; observem o futuro! Aquele que partiu, que se desprende, está caminhando; está vencendo etapas; superando as distâncias, os problemas, as dores.

Cada um de nós, certamente, que tem algo de mais sofrido no coração, alguém por quem chorar: a esposa, o filho, a mãe, aqueles todos que têm nos seus companheiros de jornada afinidade maior digam para eles: Chorem, meus filhos, chorem! Jesus chorou, também, um dia, no Monte das Oliveiras. À semelhança do Cristo, não percam a confiança em Deus; à semelhança do Cristo, que, diante da dor, soube ainda indicar roteiro para a própria mãe. E a separação tão dolorosa para muitos será o espetáculo da confiança em Deus para os que souberem crer.

O espírita aprenderá a ciência do desprendimento na medida em que ele próprio se sinta desprendido das coisas do mundo.

Façamos isto: pouco a pouco, desprenda-mo-nos das coisas menos importantes.

Não nos preocupemos com as coisas tão difíceis de desligar-mo-nos.

O tempo nos ensinará o desligamento necessário daquilo que for pequenino, sem importância, que não represente nada de útil para seus espíritos, comecem a desprender-se.

Há pessoas que começarão a fazer isso com uma pequena peça de roupa, com um pequeno objeto; outras, com coisas de mais importância. Todas, entretanto, estarão aprendendo a espiritualizar-se, que é o que devemos buscar.

Que esta lição da noite de hoje torne cada um de vocês um tanto mais desprendido! De cada um se espera que se cresça no sentimento, na busca do amor e na busca de Deus.

Nosso desprendimento não pode ser assim um ato de puro desprezo por alguma coisa, não! Nosso desprendimento significa escolha por algo mais importante. E o que há de mais importante no ser humano do que a própria vida?

A vida material tem a sua fase; a vida espiritual tem como consequência a união com Deus, que é a busca final de tudo.

Que Deus nos ajude, abençoe, nos proteja e nos dê um final de estudos e de trabalhos espirituais com muita paz!

Vosso irmão Antonio de Aquino, amparado, também, pelo irmão Balthazar.




Autor: Balthazar
Do livro: Inspirações do Amor Único de Deus, vol. 1.

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