domingo, 23 de julho de 2017

Orgulho, Riquiza e Pobreza

Orgulho, Riquiza e Pobreza
Orgulho, Riquiza e Pobreza
De todos os vícios, o mais terrível é o orgulho, pois semeia, na sua passagem, os germens de quase todos os outros vícios. Desde que tenha penetrado numa alma, assim como numa praça conquistada, estabelece-se como senhor, instala-se, aí, à vontade, fortificase ao ponto de se tornar inexpugnável. É a hidra monstruosa, sempre a procriar e cujos rebentos são monstruosos como ela.

Infeliz do homem que se deixou apanhar pelo orgulho! Só poderá libertar-se ao preço de terríveis lutas, depois de dolorosas provações, de existências obscuras, de um futuro todo de rebaixamento e de humilhação, pois aí está o único remédio eficaz para os males que o orgulho engendra.

Esse vício é o maior flagelo da Humanidade. Dele procedem todas as discórdias da vida social, as rivalidades de classes e de povos, as intrigas, o ódio e a guerra. Inspirador das loucas ambições, o orgulho tem coberto a Terra de sangue e de ruínas; e é ainda ele que causa nossos sofrimentos de além-túmulo, pois seus efeitos estendem-se além da morte, até sobre nossos destinos longínquos.


O orgulho desvia-nos não apenas do amor dos nossos semelhantes, mas torna qualquer aperfeiçoamento impossível, enganando-nos sobre nosso valor, cegando-nos sobre nossos defeitos. Apenas um exame rigoroso dos nossos atos e dos nossos pensamentos nos permitirá nos reformarmos. Mas como o orgulhoso submeter-se-ia a esse exame? De todos os homens é aquele que
menos se conhece. Vaidoso de sua pessoa, nada pode desenganálo, pois afasta, com cuidado, o que poderia esclarecê-lo; odeia a contradição e apenas se compraz no convívio dos aduladores.



Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

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