sexta-feira, 15 de junho de 2018

Léon Denis e a Mediunidade

Léon Denis e a Mediunidade
Léon Denis e a Mediunidade
Quase todos os grandes missionários, os reformadores, os fundadores de religião eram médiuns poderosos, em comunhão constante com os invisíveis, dos quais recebiam as inspirações fecundas. Sua vida inteira é um testemunho da existência do mundo dos espíritos e das suas relações com a Humanidade terrestre.

Assim se explicam — pondo de lado os exageros e as lendas — numerosos fatos históricos qualificados como sobrenaturais e maravilhosos. A existência do perispírito e das leis da mediunidade nos indicam com a ajuda de meios que se exerce, através das idades, a ação dos espíritos sobre os homens. A Egéria de Numa, os sonhos de Cipião, os gênios familiares de Sócrates, de Tasso, de Jerônimo Cardan, as vozes de Joana d’Arc, os inspirados dos Cévennes, a vidente de Prévorst, mil outros fatos análogos, considerados à luz do Espiritualismo moderno, perdem, dali em diante, aos olhos do pensador, todo caráter sobrenatural ou misterioso.


Revela-se, todavia, por esses fatos, a grande lei de solidariedade que une a Humanidade terrestre às humanidades do Espaço. Libertados dos laços da carne, os espíritos superiores podem levantar a cortina espessa que lhes escondia as grandes verdades. As leis eternas lhes parecem desprendidas das sombras, cujos sofismas e miseráveis interesses pessoais nos envolvem nesse mundo. Animados por um ardente desejo de cooperar ainda no movimento ascensional dos seres, tornam a descer até nós e põem-se em relação com aqueles humanos, cuja constituição sensitiva e nervosa possibilitam preencher o papel de médium. Por seus ensinos e seus salutares avisos, trabalham, com a ajuda desses intermediários, para o progresso moral das sociedades terrestres.

Convém observar, contudo, que de modo geral, os médiuns não compreendem muito, nos nossos dias, a necessidade de uma vida pura e exemplar para entrar em relação com as altas personalidades do Espaço. Na Antiguidade, os “sujets”— das mulheres, de preferência — eram escolhidos desde a infância, com cuidado, nos templos e recintos sagrados, distante de qualquer contato impuro, envolvidos de tudo o que poderia desenvolver-lhes o sentido do belo. Assim eram as vestais romanas, as sibilas gregas, as druidisas da Ilha de Sein. Era atravésdo seu intermédio que se consultavam os deuses ou espíritos superiores, e as respostas eram quase sempre precisas.

Joana d’Arc foi, também, uma médium dessa ordem, recebendo, diretamente, as inspirações celestes. Hoje, essas condições de pureza e de elevação de pensamento são mais difíceis de realizar. Muitos médiuns sofrem influências materiais, até grosseiras e são levados a utilizar suas faculdades num objetivo vulgar. Daí, o caráter inferior de algumas manifestações, a falta de proteção eficaz, a intervenção dos espíritos atrasados.



Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...