sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Resignação na Adversidade

Resignação na Adversidade
Resignação na Adversidade
Essas partidas sucessivas de todos aqueles que nos foram caros são outras tantas advertências solenes; arrancam-nos do nosso egoísmo; mostram-nos a puerilidade das nossas preocupações materiais, das nossas ambições terrestres e convidam-nos a nos preparar para essa grande viagem. (...)

A morte dos nossos filhos é também uma fonte de amargos pesares. Um pai, uma mãe não poderiam ver desaparecer, sem dilaceração, o objeto de sua afeição. É nessas horas desoladas que a filosofia dos espíritos é para nós o grande socorro. Às nossas queixas, à nossa dor de ver existências cheias de promessas, logo partidas, ela responde que uma morte prematura é, muitas vezes, um bem para o espírito que se vai e encontra-se livre dos perigos e das seduções da Terra. Essa vida tão curta — inexplicável mistério para nós — tinha sua razão de ser. A alma confiada aos nossos cuidados, às nossas ternuras, aí vinha aperfeiçoar o que tinha sido insuficiente para ela numa encarnação precedente. Nós apenas vemos as coisas do ponto de vista humano, e, daí, vêm nossos erros. A estada dessas crianças, na Terra, ter-nos-á sido útil. Terá feito nascer no nosso coração as santas emoções da paternidade, sentimentos delicados, até então, por nós desconhecidos, que enternecem e tornam-se melhores. Terá formado entre nós e eles laços bastante poderosos para nos prender a esse mundo invisível que nos reunirá a todos. Pois, aí, está a beleza da doutrina dos espíritos. Com ela, esses seres não estão perdidos para nós. Deixam-nos, por um instante, mas estamos destinados a reunirmo-nos de novo.


Que digo? Nossa separação é apenas aparente. Essas almas, essas crianças, essa mãe bem-amada estão perto de nós. Seus fluidos, seus pensamentos envolvem-nos; seu amor protege-nos. Podemos mesmo, às vezes, comunicarmos com eles, receber seus encorajamentos, seus conselhos. Seu afeto por nós não se dissipou. A morte tornou-o mais profundo e mais esclarecido. Eles nos exortam a expulsar para longe de nós essa tristeza vã, esses desgostos estéreis, cujo espetáculo torna-os infelizes. Suplicam-nos para trabalhar com coragem e perseverança pelo nosso adiantamento, a fim de reencontrá-los, de reunirmo-nos na vida espiritual.



Autor: Léon Denis
Do livro: Depois da Morte

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